O QUE É O BUREL

O Burel é um tecido grosseiro típico da Serra da Estrela, apesar de não ser exclusivo dessa zona. Feito de lã 100% natural (virgem), o Burel foi fazendo história na Serra da estrela, através das capas, peça de vestuário, adequado à tarefa dos pastores, que os ajudavam a suportar as baixas temperaturas. É a peça que mais simboliza o Burel.

No entanto, pelo custo da matéria-prima, passou a perder mercado quando teve de enfrentar tecidos de matérias sintéticas, mais leves, e de preços altamente competitivos. Ficou por isso, durante algum tempo esquecido, para depois reaparecer com toda a sua exuberância, no campo da moda, arquitetura e do artesanato.

Trata-se, na verdade, de peças de vestuário ou de decoração raros, cujo o preço fala por si, já que não existem duas completamente iguais devido ao processo da própria lã.

A   lã é extraída das ovelhas (velo) através da tosquia que é feita durante os meses de Maio a Junho. Depois da tosquia, a lã é muito bem lavada com água quente e posta a seca, sendo de seguida cardada, passando depois à fase da fiação, ( operação artesanal, com o auxílio do fuso e da roca para a transformar em fio). À lã, já fiada, dá-se o nome de maçaroca, a qual depois é dobada em novelos, pronta a ser urdida.

A urdidura que consiste em preparar os fios, de alto-a-baixo, paralelos entre si, e de igual comprimento. feito isso, monta-se no tear e procede-se à tarefa de tecelagem. Urdir com lã branca e tecer com lã preta ou castanha, é um processo usual que dá outro colorido ao tecido. Para a criação de outras cores, que não as naturais, (Cru, Surrobeco e Castanho), existe ainda o processo de tingimento, que demora cerca de um mês até ficar pronto.

                                                                          PRÓXIMO PASSO

A lã depois de tecida, apresenta uma textura pouco consistente, de certo modo rala, razão pela qual, passa à pisoagem, para garantir maior firmeza e durabilidade ao tecido.

A pisoagem é feita no pisão ( engenho artesanal, pesado e movido a água, semelhante ao moinho), onde o tecido é batido em água quente, durante algum tempo, por dois enormes martelos, ou malhos de madeira pesados. Assim se transforma numa pasta homogénea, espessa e forte, a que é dado o nome de Burel.

Este tecido pode ser submetido a vários tempos - pisão inteiro, meio pisão, ou apenas um quarto de pisão, consoante o fim a que se destine: Capas e Samarras - pisão inteiro, saiais - meio pisão, aventais - um quarto de pisão. Por isso existem diversas espessuras do mesmo tecido.

                                                                                RESULTADO
E é assim que o chamado tecido grosseiro, mais conhecido como Burel, fica pronto, para depois ser trabalhado por alfaiates, Designers e Artesãos, os quais transformam o tão nobre tecido, em peças únicas e tão procuradas e apreciadas, por quem entende e valoriza o que é de facto Natural e tão Nosso.